quarta-feira, 15 de junho de 2011

Prática de Leitura Multimidial

Globalização
Público Alvo:Leitores do Ensino Médio
Metodologia e Recursos
          Leitura de textos literários:
ü      Conto “A Globalização e o Algodão Doce”, por Marciana Verdinha de Antenas Longas .
ü      Poema “Globalizando em rede”, de Maria Gildete Carneiro Amorim .
            Leitura de Músicas:
ü      “Globalização”,Tribo de Jah.
ü      “Defesa Armada”,Tribo de Jah.
ü      Leitura de Imagens

Desenvolvimento
          Apresentei o texto:A Globalização e o Algodão Doce , por Marciana Verdinha de Antenas Longas.
          Em uma praça qualquer, em um desses enfadonhos domingos ensolarados, sentada num banco de madeira decadente e provavelmente habitado por mendigos, eu me encontrava pensando na vida, talvez pensasse na morte também, buscando inspiração ou alguma coisa semelhante.E se não fosse por aquele horizonte azul celeste com nuvens branquinhas aqui e acolá e o sol fritando minha cabeça, espantando todas as idéias que poderiam surgir, eu até teria a capacidade de criar um novo mundo.
          Mirando novamente a paisagem só pude recordar de uma única coisa.
          -Algodão doce! – agora receava a possibilidade de ter pensado alto demais.
          Inesperadamente obtive resposta.Uma voz grave entoou em meus ouvidos.
          -Sim, sim... Globalização!
          Virei a cabeça para ver quem diabos tinha dito aquela frase completamente sem contexto.A figura de um homenzinho raquítico, maltrapilho e surpreendentemente com uma aparência de limpeza impecável me era muito estranha.Seus cabelos lisos e negros lhe caíam sobre os olhos e em sua mão encontrava-se um jornal com uma manchete em letras garrafais: DESEMPREGO ESTRUTURAL AUMENTA.ROBÔS OCUPAM AS FÁBRICAS.Analisando tudo, tive que responder:
          -Como, senhor?
          -É, é... O mundo globalizado tem uma grande similaridade com o algodão doce.Ah!Me perdoe pela indelicadeza.Sou Dynac, Tewes Dynac.Sempre quis dizer isso.
          -Ah... É... Medrofe Canitifino, prazer?
          -Sim, é um prazer.Mas como eu ia dizendo, o mundo globalizado é como algodão doce, não acha?
          Tentei por instantes achar a semelhança.Fiz várias hipóteses, uma me parecia mais imbecil que a outra.
          -Não consigo enxergar no que se parecem, sr. É... Dynac!
          -Pense só... Assim como o mundo globalizado, o algodão doce está unido e interligado, não por sua vontade, mas pela vontade de comermos algodão doce.Pense em um grãozinho de açúcar que foi caramelizado para se tornar algodão doce como sendo um ser humano deste mundo enfermo.
          -Todos os grãozinhos estão ligados entre si, mas se isso não estivesse acontecendo não ia mudar a vida do grãozinho.No Algodão Doce existem disponíveis meios de transporte, como por exemplo o grãozinho tem oportunidade de atravessar o algodão doce em um piscar de olhos,deslizando pelo palito, mas se ele não tiver como pagar por isso ele não tem como passar, ou seja, toda a infra pode não servir pra nada para alguns, justamente como acontece no mundo globalizado no qual existem milhares de tecnologias, no transporte, comunicação e até eu posso citar a indústria bélica.Mas me diga cara Medrofe, como um mendigo pode usufruir de tudo isso?O que me deixa mais inconformado é perceber que a desigualdade social só faz crescer, e por culpa de quem?Da globalização e do capitalismo.
          Imaginei de onde ele teria tirado todas aquelas analogias.Não eram insensatas, agora eu já podia considerar o mundo um grande algodão doce.
          -Realmente esse mundo não dá espaço para os sem grana.Me veio à cabeça nesse exato momento que algodão doce é um grande estímulo para a podridão dos dentes, o mundo globalizado, cada vez mais, nos leva para a miséria, a fome.Ah!Outra analogia!
          Se levantando (não que fizesse muita diferença) Tewes começou a dar tapas suaves em seus glúteos, aparentemente tirando a poeira das calças esfarrapadas.
         
-Foi uma boa analogia, mas realmente não estou competindo.Obrigada, Medrofe, pela companhia, agora tenho que mexer meu traseiro fétido para conseguir arranjar um emprego.Dizem que tenho que ser criativo.Talvez seja bom que eu coma rapadura com coca antes de bater em outra porta.Adeus.Acho que não pode ser um “até logo”.
          -Adeus, sr. Dynac.Digo, Tewes.
          E saiu andando, aparentemente sem rumo.Com ele levava meus desejos de sorte.Aquela visão me fez decidir comprar um algodão doce, pra me sentir mais poderosa.

Após a leitura do texto os alunos escutaram a música”Globalização” da Tribo de Jah, interligando os assuntos do texto com a música ;
          Globalização é a nova onda
O império do capital em ação
Fazendo
sua rotineira ronda

No gueto não há nada de novo
Além do sufoco que nunca é pouco
Além do medo e do desemprego, da violência e da impaciência
De quem partiu para o desespero numa ida sem volta
Além da revolta de quem vive as voltas
Com a exploração e a humilhação de um sistema impiedoso
Nada de novo
Além da pobreza e da tristeza de quem se sente traído e esquecido
Ao ver os filhos subnutridos sem educação
Crescendo ao lado de esgotos, banidos a contragosto pela sociedade
Declarados bandidos sem identidade
Que serão reprimidos em sumária execução
Sem nenhuma apelação

Não há nada de novo entre a terra e o céu
Nada de novo
Senão o velho dragão e seu tenebroso véu de destruição e fogo
Sugando sangue do povo,
De geração em geração
Especulando
pelo mundo todo
É só o velho sistema do dragão
Não, não há nenhuma ilusão, ilusão
Só haverá mais tribulação, tribulação

Os dirigentes do sistema impõem seu lema:
Livre mercado, mundo educado para consumir e existir sem questionar


Não pensam em diminuir ou domar a voracidade
E a sacanagem do capitalismo selvagem
Com seus tentáculos multinacionais querem mais, e mais, e mais...
Lucros abusivos
Grandes executivos são seus abastados serviçais
Não se importam com a fome, com os direitos do homem
Querem abocanhar o globo, dividindo em poucos o bolo
Deixando migalhas pro resto da gentalha, em seus muitos planos
          Não veem seres humanos e os seus valores, só milhões e milhões de consumidores
São tão otimistas em suas estatísticas e previsões
Falam em crescimento, em desenvolvimento por muitas e muitas gerações

Não há nada de novo entre a terra e o céu
Nada de novo
Senão o velho dragão e seu tenebroso véu de destruição e fogo
Sugando sangue do povo,
De geração em geração
Especulando
pelo mundo todo
É só o velho sistema do dragão
Não, não há nenhuma ilusão, ilusão
Só haverá mais tribulação, tribulação

Não sentem o momento crítico, talvez apocalíptico
Os tigres asiáticos são um exemplo típico,
Agora mais parecem gatinhos raquíticos e asmáticos
Se o sistema quebrar será questão de tempo
Até chegar o racionamento e o desabastecimento
Que sinistra situação!
O globo inchado e devastado com a superpopulação
Tempos de barbárie então virão, tempos de êxodos e dispersão
A água pode virar ouro
O rango um rico tesouro

Globalização é uma falsa noção do que seria a integração,
Com todo respeito a integridade e a dignidade de cada nação

É a lei infeliz do grande capital,
O poder da grana internacional que faz de cada país apenas mais um seu quintal
É o poder do dinheiro regendo o mundo inteiro

Ricos cada vez mais ricos e metidos
Pobres cada vez mais pobres e falidos
Globalização, o delírio do dragão!
         
Música:”Defesa Armada” ,Tribo de Jah;

          Os paises pobres ainda tem
Que aprender a mais nova lição
O dominio total da nação
Esta vindo através da globalização

Temos que evitar a abertura de fronteira,
Para proteger a industria nacional,
Defesa do emprego,
Defesa da familia,
Defesa das fronteiras,
Protega a economia,

A população é inocente
Gosta de ter um monte de opção
Um produto inutil e barato
Importado sem ter uma razão

Temos que evitar a abertura de fronteira,
Para proteger a industria nacional,
Defesa do emprego,
Defesa da familia,
Defesa das fronteiras,
Protega a economia
         
Relacionar o Poema “Globalizando em Rede”, de  Maria Gildete Carneiro Amorim  com as imagens;
          Em tempo de globalização,
Fazem-se amizades de supetão.
Com computadores avançados
Melhor fica o bate-papo
Buscando conversar?
Faz-se o login e digita a senha por fim
Amigos online, outros off-line
Menina quer namorar
O garoto só quer “ficar”
Conflitos à parte
A verdade é que todos querem agitar
Queda na rede, estresse total
Tenta-se reiniciar, apertando a tecla com o polegar
Para um coração acessar
Basta apenas digitar:
“Você, comigo quer ficar?”
Cuidado com os vírus
Pedofilia também, pois todo cuidado deve-se ter
Sites a acessar, jogos a jogar
No mundo virtual, todos só querem zoar
Computadores interligados
Por uma rede de lazer e comunicação
Isso mesmo meu amigo:
Essa é a verdadeira magia da globalização.







Resultados
          Ocorra uma maior compreensão sobre a  Globalização e as influências em nosso dia-a-dia.



terça-feira, 14 de junho de 2011

Tema: Globalização
Público Alvo:Leitores do Ensino Médio
Metodologia e Recursos

sábado, 11 de junho de 2011

Comentário sobre textos discutidos

As palavras nos tornam pessoas que interagem nesse mundo tão cheio de várias formas de comunicação que são usadas para o nosso bem ou não, depende de como as usamos.Essa intertextualidade que ocorre nessas diversas interpretações e conhecimentos,os vários gêneros literários propiciam essa apreensão e compreensão do que se está querendo passar, e através destes podemos fazer várias leituras de mundo, não só das palavras mas das imagens e juntamente com o som.Devemos trazer essas diversidades para dentro de nossas salas de aula e com isso nos torarmos verdadeiros mediadores da leitura.
Josiane Dalcin Nogueira

segunda-feira, 30 de maio de 2011

                                                                                        (Tarsila do Amaral)
                                                  “Meus Amores”
                       Lindas flores do meu dia, meus amores, minhas vidas.
                       Verdes, rosas, azuis e vermelhas, sempre incendeiam suas belezas.
                       Oh a primavera! Ah as minhas flores!
                       Quando não as tenho, sinto falta de seus perfumes, sinto falta de suas cores.
                                 
                       Existem as da noite, existem as do dia, cada quais suas características; são lindas as
                       flores da minha vida.
                       Azuis são minhas preferidas, são o céu, alegria de meus dias.
                       Vou dar uma delas à Maria, bela flor!
                       Desculpe-me se te machuquei com o espinho do botão que a dei,só lhe 
                       garanto que com um beijinho meu você voltará a sorrir, linda flor azul.
                                                                
                       E se um dia me perguntares se prefiro um jardim a ti, não tenha dúvidas;
                       Ficarei contigo, pois assim, cultivarei para sempre o mais belo jardim,
                       Na perfeição de minha linda flor Maria,                                 
                       Uma só, repleta de várias.
                                                                             ( Mala da leitura)


quarta-feira, 25 de maio de 2011

"A cartomante"

                                        A Cartomante
Igor observa a Carlos Miguel que há mais coisas no céu e na terra do que
sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a linda Sabrina ao
moço Dionatan, numa sexta-feira de Outubro de 2011, quando este ria dela,
por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia
por outras palavras.
— Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada. Pois sabia que eu
fui, e que ela adivinhou o motivo da consulta, antes mesmo que eu lhe
dissesse o que era. Apenas começou a botar as cartas, disse-me: "A senhora
gosta de uma pessoa..." Confessei que sim, e então ela continuou a botar as
cartas, combinou-as, e no fim declarou-me que eu tinha medo de que você
me esquecesse, mas que não era verdade...
— Errou! interrompeu Dionatan, sorrindo.
— Não diga isso, Dionatan. Se você soubesse como eu tenho vivido, por sua
causa. Você sabe; já lhe disse. Não ria de mim, não ria...
Dionatan pegou-lhe nas mãos, e olhou para ela sério e fixo. Jurou que
queria ela , que os seus sustos pareciam de criança; em todo o caso,
quando tivesse algum medo, a melhor cartomante era ele mesmo. Depois,
repreendeu-a; disse-lhe que era errado andar por essas casas. Pedro
podia saber, e depois...
— Quê saber! Fui me cuidando, ao entrar na casa.
— Onde é a casa?
— Aqui perto, na Rua da Beloni; não passava ninguém nessa
hora. Relaxa; eu não sou maluca.
Dionatan riu outra vez:
— Você acredita em tudo que falam? Perguntou-lhe:
Foi então que ela, sem saber que traduzia Igor em vulgar, disse-lhe que
havia muita coisa misteriosa e verdadeira neste mundo. Se ele não
acreditava, paciência; mas o certo é que a cartomante adivinhara tudo. Que
mais? A prova é que ela agora estava tranqüila e satisfeita.
Cuidou no quê ia falar, mas calou-se. Não queria tirar as
ilusões. Também ele, em criança, e ainda depois, foi supersticioso, teve uma bagagem
inteira de crendices, que a mãe contou. E que aos vinte anos
desapareceram. Como tivesse recebido da mãe dois ensinamentos, pensou na mesma dúvida, e logo depois em uma só negação
total. Dionatan não acreditava em nada. Por quê? Não podia dizer, não
possuía uma só palavra: limitava-se a dizer não à tudo. Contentou-se em levantar os ombros, e foi andando, passo a passo.
Separaram-se contentes, ele ainda mais que ela. Sabrina estava certa de ser
amada; Dionatan, não só o estava, mas via ela tremer  por ele,
ir às cartomantes, e, por mais que chama-se sua atenção, não podia deixar de
sentir-se feliz. A casa do encontro era na antiga Rua Andrade Neves,
onde morava uma tia de Sabrina. Esta desceu pela Rua do
Portão, na direção do Sistema, onde residia; Dionatan desceu pela rua da
Guarda Velha, olhando para a casa da cartomante.
Pedro, Dionatan e Sabrina, três nomes, uma aventura e nenhuma explicação.
 Vamos a ela. Os dois primeiros eram amigos de infância. Pedro
seguiu a carreira de Juiz. Dionatan entrou no funcionalismo, contra a
vontade do pai, que queria vê-lo médico; mas o pai morreu, e Dionatan
preferiu não ser nada, até que a mãe lhe arranjou um emprego público. No
princípio de 2009, voltou Pedro da província, onde casara com uma moça linda e tonta; abandonou a magistratura e veio dar um de advogado.
Dionatan arranjou-lhe casa para os lados de Passo Fundo, e foi a bordo recebê-lo.
— É o senhor? Disse - le Sabrina , levando a mão. Não imagina como
meu marido é seu amigo, falava sempre do senhor.
Dionatan e Pedro olharam-se com ternura. Eram amigos.
Depois, Dionatan confessou de si para si que a mulher do Pedro não
mentia as cartas do marido. Realmente, era graciosa e viva nos gestos,
olhos castanhos, boca carnuda. Era um pouco mais velha que
os dois: contava trinta anos, Pedro vinte e nove e Dionatan vinte e seis.
Entretanto, o porte de Pedro fazia-o parecer mais velho que a mulher,
enquanto Dionatan era tímido na vida moral e prática. Faltava-lhe tanto a
ação do tempo, como os óculos de cristal, que a natureza põe no berço de
alguns para adiantar os anos. Nem experiência, nem intuição.
Uniram-se os três. Convivência trouxe intimidade. Pouco depois morreu a
mãe de Dionatan, e nesse desastre, que  foi, os dois mostraram-se grandes
amigos dele.Pedro cuidou do enterro,  e do inventário; Sabrina
tratou especialmente do coração, e ninguém o faria melhor. A verdade é que
gostava de passar em companhia dela, era a sua confidente, quase
uma irmã, mas principalmente era mulher e bonita. Liam
os mesmos livros, iam juntos a teatros e passeios. Dionatan ensinou jogar
damas e o jogo de xadrez, jogavam de noite— ela mal, — ele, para deixar ela ganhar
l, pouco menos mal. Até aí tudo bem. Agora a ação da pessoa, os
olhos teimosos de Sabrina, que procuravam muitas vezes os dele, que olhava ao marido
 antes de o fazer, as mãos frias, as atitudes cuidadosamente pensadas.
Um dia, fazendo ele aniversário, recebeu de Pedro uma rica bengala de presente e
de Sabrina apenas um cartão com um vulgar cumprimento a lápis, e foi então
que ele pôde sentir dentro de si, não conseguia arrancar os olhos do
bilhetinho.
Dionatan quis sinceramente fugir, mas já não pôde. Sabrina, como uma
cobra, foi-se enrolando nele, envolveu-o todo, fez-lhe arrepiar
num espasmo, e beijou-o . Ele ficou meio tonto. Vexame, sustos, remorsos, desejos, tudo sentiu de mistura, mas a batalha foi curta e a vitória delirante. Adeus, escrúpulos! Não tardou que o sapato fosse atirado ao chão, e aí foram ambos, estrada fora, braços dados,
pisando  por cima de ervas e pedregulhos, sem padecer nada
mais que algumas saudades, quando estavam ausentes um do outro. A confiança e estima de Pedro continuavam a ser as mesmas. Um dia, porém, Dionatan recebeu uma carta anônima, que o chamava. De sem vergonha, e dizia que todos já sabiam de tudo. Dionatan teve
medo, e, para desmanchar as suspeitas, começou a diminuir as visitas à casa de
Pedro. Este sentiu falta. Dionatan respondeu que o motivo era uma conquista amorosa de rapaz.  As ausências começaram a ser mais longas. Até terminar suas visitas.
Foi aí que Sabrina, desconfiada e com medo, foi lá na cartomante para consultá-la sobre a verdadeira causa das atitudes de Dionatan.
Vimos que a cartomante deu muita confiança, e que o rapaz a repreendeu por ter ido lá. Passaram-se algumas semanas. Dionatan recebeu mais cartas anônimas, tão apaixonadas, que não podiam ser advertência, mas despeito de algum rapaz; que foi a opinião de Sabrina.
Nem por isso Dionatan ficou mais sossegado; tremia só de pensar que a tal carta caísse nas mãos de Pedro e a não daria para fazer nada. Sabrina concordou que era possível.
— Bem, disse ela; eu levo as cartas para ver a letra que lá aparecerem; se alguma for igual, guardo-a e rasgo-a...
Nenhuma apareceu; mas daí a algum tempo Pedro começou a mostrar-se
Frio e rancoroso, falando pouco, como desconfiado. A opinião dela é que Dionatan deveria ir a sua casa novamente tornar a falar com seu marido, e assim até que ouvisse alguma suspeita de um negócio particular. Dionatan desconfiava um pouco; pois aparecer depois de tantos meses, era confirmar a suspeita ou denúncia. Mas é melhor ser cuidadoso,
sacrificando-se por algumas semanas. Combinaram os meios de se falarem, em caso de necessidade, e separaram-se chorando.
No dia seguinte, estando na repartição, Dionatan recebeu este bilhete de
Pedro: "Vem já, à nossa casa; preciso falar com você, vem depressa.” Era mais de
meio-dia. Dionatan saiu logo; na rua, advertiu que teria sido mais natural
chamá-lo ao escritório; por que em casa? Tudo indicava algo sério.
— Vem já, à nossa casa; preciso falar com você, vem depressa. — repetia ele com
os olhos no papel.
Imaginariamente, Sabrina chorando e Pedro indignado, pegando a caneta e escrevendo o bilhete, certo de que ele acudiria, e esperando-o para matá-lo. Dionatan tremeu, tinha
medo: depois sorriu disfarçando, e em todo caso repugnava-lhe a idéia de
recuar, e foi andando. Ao caminho, lembrou-se de ir a casa; podia achar algum recado de Sabrina, que lhe explicasse tudo. Não achou nada, nem ninguém. Voltou à rua, e a idéia de estarem descobertos parecia-lhe cada vez mais verdadeira; era natural uma denúncia anônima, até da própria pessoa que o ameaçara antes; podia ser que Pedro conhecesse agora tudo. A mesma parada de suas visitas, sem motivo aparente, apenas com um pretexto
fútil, viria confirmar o resto.
Dionatan ia andando inquieto e nervoso. Não relia o bilhete, mas as
palavras estavam decoradas, diante dos olhos,  — o que era ainda pior, — eram-lhe sussurradas em seus  ouvidos, com a própria voz de Pedro.
"Vem já, à nossa casa; preciso falar com você, vem depressa." Ditas assim, pela
voz do outro, tinham um tom de mistério e ameaça. Vem, já, já, para quê?
Era perto de uma hora da tarde. A comoção crescia de minuto a minuto.
Tanto imaginou o que se iria passar que chegou a crê-lo e vê-lo.
Positivamente, tinha medo. Pensou em ir armado, considerando
que, se nada houvesse, nada perdia, e a precaução era útil. Logo depois
desistiu da idéia, envergonhado de si mesmo, e seguia, picando o passo, na direção
do Largo da Tijuca, para entrar numa carroça. Chegou, entrou e mandou seguir a trote largo.
"Quanto antes, melhor, pensou ele; não posso estar assim..."
Mas o mesmo trote do cavalo ficou preocupado. O tempo voava, e ele não tardaria a entestar com o perigo. Quase no fim da Rua da Tijuca, a carroça teve de parar, a rua estava engarrafada com uma carroça, que caíra.Dionatan, em si mesmo, esperou. No fim de cinco minutos, reparou que ao lado, à esquerda, ao pé da carroça, ficava a casa da cartomante, a quem Sabrina consultara uma vez.
Dionatan reclinou-se na carroça, para não ver nada. A agitação dele era
grande,  e do fundo de sua alma surgiu alguns fantasmas de outro tempo, as velhas crenças, as superstições antigas. O cocheiro propôs-lhe voltar à primeira rua, e ir por outro caminho: ele respondeu que não, que esperasse. Na rua, gritavam os homens, erguendo a carroça:
— Anda! agora! empurra! vá! vá!
Daí a pouco estaria removido o obstáculo. Dionatan fechava os olhos,
pensava em outras coisas: mas a voz de Pedro sussurrava-lhe a orelhas as
palavras da carta: "Vem, já,..." E ele via a cena do drama e tremia.
A casa olhava para ele. As pernas queriam descer e entrar. Dionatan achou-se
diante de um longo véu opaco... pensou rapidamente no inexplicável de
tantas coisas. A voz da mãe repetia-lhe uma porção de casos
extraordinários: e a mesma frase do príncipe da Inglaterra retumbava
dentro: "Há mais cousas no céu e na terra do que sonha a filosofia”
Deu por si na calçada, ao pé da porta: disse ao cocheiro que esperasse, e
rápido correu  pelo corredor, e subiu a escada. A luz era pouca, os degraus
encardidos dos pés, o corrimão pegajoso; mas ele não, viu nem sentiu nada.
Trepou e bateu. Não aparecendo ninguém, teve idéia de descer; mas era
tarde, a curiosidade fervia o sangue, a cabeça doía; ele
tornou a bater uma, duas, três batidas. Veio uma mulher; era a cartomante.
Dionatan disse que ia consultá-la, ela convidou para entrar. Dali subiu ao sótão, por
uma escada ainda pior que a primeira e mais escura. Em cima, havia uma
salinha, com pouca luz, por uma janela, que dava para o telhado dos fundos.
Velhos trastes, paredes sombrias, um ar de pobreza, que antes aumentava do
que destruía o prestígio.
A cartomante pediu que sentasse diante da mesa, e sentou-se do lado oposto, com
as costas para a janela, de maneira que a pouca luz de fora batia em cheio no
rosto de Dionatan. Abriu uma gaveta e tirou um baralho de cartas compridas e
encardidas. Enquanto as baralhava, rapidamente, olhava para ele, não de
rosto, mas por baixo dos olhos. Era uma mulher de quarenta anos, argentina,
morena e magra, com grandes olhos rápidos e agudos. Voltou três cartas
sobre a mesa, e disse-lhe:
— Vejamos primeiro o que é que o traz aqui. O senhor teve um grande
susto...
Dionatan, admirado, fez um gesto afirmativo.
— E quer saber, continuou ela, se lhe acontecerá alguma coisa ou não...
A cartomante não sorriu: disse-lhe só que esperasse. Rápido pegou outra
vez das cartas e baralhou-as, com os longos dedos finos, de unhas
pintadas de um esmalte vermelho; baralhou-as bem, cortou os maços, uma, duas. Três vezes;
depois começou a estendê-las.Dionatan tinha os olhos nela curioso e ansioso.
— As cartas dizem-me...
Dionatan inclinou-se para ouvir uma a uma as palavras. Então ela disse
que não tivesse medo de nada. Nada aconteceria nem a um nem a outro;
ele, o terceiro, ignorava tudo.deveria ter bastante cuidado:
tinha muitas invejas e olho gordo. Falou-lhe do amor que os ligava, da beleza de
Sabrina. . . Dionatan ficou encantado. A cartomante acabou, recolheu as
cartas e fechou-as na gaveta.
— A senhora devolveu-me a paz de espírito, disse ele estendendo a mão por
cima da mesa e apertando a da cartomante.
Esta levantou-se, rindo.
— Vá, disse ela; vá, Muchacho enamorado...
E de pé, com o dedo indicador, tocou-lhe na testa. Dionatan estremeceu,
como se fosse a mão da própria sibila, e levantou-se também. A cartomante
foi à cômoda, sobre a qual estava um prato com cachos de uvas, tirou um cacho
destas, começou a despencá-las e comê-las, mostrando duas fileiras de
dentes que desmentiam as unhas. Nessa mesma ação comum, a mulher tinha
um ar particular. Dionatan, ansioso por sair, não sabia como pagar; ignorava
o preço.
— Passas custam dinheiro, disse ele afinal, tirando a carteira. Quanta quer
mandar buscar?
— Pergunte ao seu coração, respondeu ela.
Dionatan tirou uma nota de cinqüenta reais, e entregou-lhe. Os olhos da cartomante
fuzilaram. O preço usual era vinte reais.
— Vejo bem que o senhor gosta muito dela... E faz bem; ela gosta muito do
senhor. Vá, vá tranqüilo. Olhe a escada, é escura; ponha o chapéu...
A cartomante tinha já guardado a nota na carteira, e descia com ele,
falando, com um leve sotaque. Dionatan despediu-se dela embaixo, e desceu a
escada que levava à rua, enquanto a cartomante, alegre com o valor do dinheiro que tinha recebido, subia as escadas, cantarolando uma canción. Dionatan achou a carroça esperando; a rua estava livre. Entrou e seguiu a trote largo. Tudo lhe parecia agora melhorar. O céu estava límpido e as caras joviais. Chegou a rir dos seus receios, que chamou infantil demais; recordou os termos da carta de Pedro e reconheceu que eram
íntimos e familiares. Onde é que ele lhe descobrira a ameaça? Advertiu
também que era urgente, e que fizera mal em demorar-se tanto; podia ser algum negócio gravíssimo.
— Vamos, vamos depressa, repetia ele ao cocheiro.
E consigo, para explicar a demora ao amigo, pensou em alguma desculpa ou qualquer coisa. De volta com os planos, repetia as palavras da cartomante. Em verdade, ela adivinhara o objeto da consulta, o estado dele, a existência de um terceiro; por que não adivinharia o resto?...
 Às vezes queria rir, e ria de si mesmo, algo tímido; mas a mulher, as cartas, as palavras firmes e afirmativas: — Vá, vá, Muchacho enamorado; e no fim, ao longe, a canção da despedida, lenta e graciosa, tais eram os elementos recentes, que formavam, com os antigos,
uma fé nova e forte.
A verdade é que o coração ia alegre e impaciente, pensando nas horas
felizes de antes e nas que haviam de vir. Ao passar pela Glória, Dionatan olhou para o mar, estendeu os olhos para fora, até onde a água e o céu dão um abraço infinito, e teve assim uma sensação do futuro, longo, longo,interminável.
Daí a pouco chegou à casa de Pedro. Apeou-se, empurrou a porta de ferro
do jardim e entrou. A casa estava silenciosa. Subiu os seis degraus de pedra,
e mal teve tempo de bater, a porta abriu-se, e apareceu-lhe Pedro.
— Desculpa, não pude vir mais cedo; O quê houve?
Pedro não lhe respondeu; tinha a face enrugada com ar amedrontado; fez-lhe sinal, e
foram para uma saleta interior. Entrando, Dionatan não pôde sufocar um grito
de terror: — ao fundo sobre o tapete, estava Sabrina morta e ensangüentada.
Pedro pegou-o pela gola, e, desferiu dois tiros a queima roupa, deixando-o esvaindo em sangue no chão.
                                                                                                    FIM

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Encontros e Desencontros

Quantas vezes em nossas vidas tivemos algum encontro ou desencontro, o que  mudou muito nossa vida ou nem sabemos, pois se tivesse acontecido diferente talvez a nossa vida seria muito diferente do que é, mas deixamos para o imaginário, mas nos prendamos no nosso presente e vivamos com intensidade o momento presente.
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